domingo, 23 de setembro de 2012

Formação legal

Enquanto fico aqui pensando se faço uma segunda graduação (História ou Direito) ou um Mestrado sanduíche, assisto a um episódio de "My big fat gipsy wedding" onde uma das noivinhas confessa que mal sabe ler, mas acrescenta que "dá pro gasto". É, afinal, pra que ler, escrever, e tudo o mais? Bobagem, é melhor depender do marido pra saber os preços das coisas, ou navegar na internet. Pra que ler afinal, o objetivo de ler é aprender e o que mais ela precisa aprender, já que atingiu o ponto máximo de sua existência, se casando? O marido a sustenta, a orienta e é isso que ela precisa.
O que me intriga nisso tudo não é o aspecto cultural, coisa que não questiono, mas a passividade diante do aprendizado. Uma vez começado, o processo costuma ser irreversível. Quando aprendemos a ler, lemos tudo que é cartaz e "outdoor" pela rua, perguntamos o nome de todos para poder escrever e assim seguimos por toda a vida. Não é ser gênio ou "nerd", é querer evoluir. Sabe ler mal, e não tem opinião própria? Será que não dá nem um pouquinho de vontade de ter uma conversa inteligente fora do seu mundo doméstico? Volto a falar, é até o que falo pros meus alunos: Nem todo mundo aqui vai sair doutor não. No mundo cada um tem uma função a cumprir. O que não quer dizer que o cara que recolhe o meu lixo todo dia não possa ter um curso superior e usar seu conhecimento. Ou nem precisa ser curso superior, mas lê, se informa, aprende algo novo, de repente frequenta um salão de dança, quem sabe, ou faz parte de uma banda ou de um curso de teatro. Nada o impede de evoluir, nem mesmo seu trabalho. Por isso, mesmo pra quem não tem pretensão nenhuma, como muitos dos meus alunos, estar na escola é importante sim. Mas nem todos entendem isso, e acham que estão lá por castigo, e até continuam, mas sem entusiasmo, e assim que podem, fazem questão de esquecer essa fase tão importante das suas vidas. Ainda que a realidade não seja nem um pouco parecida com a dos ciganos ingleses, mas, enfim...
Marradinhas breves (volto daqui a pouco, peraí)

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Média, pão e manteiga

Ia falar sobre a questão das avaliações e médias, mas acabei me perdendo. Mas agora, em plena época de avaliações e sem absolutamente mais nada para fazer (até parece), resolvi que seria um bom momento para se falar disso. E seria ótimo se a clientela do Teacher Aline passasse por aqui. Mas a não ser que eu passe como tarefa para casa, valendo ponto, acho pouco provável. Mesmo que seja algo que desperte curiosidade e eles acabem gostando, como o último trabalho que fiz com eles.
Mas de volta às médias: elas existem, assim como todo o conceito de avaliação quantitativa, pra FERRAR com o professor. É sim! Até o mais pragmático dos professores de Ciências Exatas irá concordar comigo. E os motivos são infinitos, e não quero discuti-los nesse momento. Quero apenas oferecer uma reflexão no conceito de MÉDIA. O que é uma média? Matematicamente falando, todo mundo (com exceção talvez de uma parcela do corpo discente da maioria das escolas públicas do Estado do RJ) sabe o que é e como se faz uma média. Mas eu falo em termos de desempenho. Imagina você, no estado a média é (pasmem) 5,0. Isto quer dizer que, num sistema decimal de avaliação, eles levaram a coisa ao pé da letra e te dizem que se você sabe 50% do conteúdo ensinado, você pode ser promovido. OK.
Alguns pontos que questiono: Primeiro, nunca, em nenhuma escola ou com nenhum professor ou metodologia especial, um aluno nota 10 aprendeu 100%. Um aluno excelente absorve no máximo 10% do que o professor ensina em sala, e o restante ele vai digerindo, se aprofundando (caso queira), e esse conhecimento vai sendo incorporado ao que foi ensinado. Portanto, como é que eu posso dizer que aquele meu aluno sabe pelo menos metade do que eu sei que passei pra ele? Impossível mensurar, concorda? O que ele sabe quase nunca está diretamente ou proporcionalmente ligado ao que eu ensinei, ou ao que vou cobrar em uma avaliação. Isso induz ao erro. Algum professor aqui cursou Estatística na sua Licenciatura? Fora os de Matemática ou Ciências Biológicas, acho que ninguém aqui é obrigado a saber calcular desvio padrão. A nossa avaliação corriqueira iria para o lixo acadêmico, pois não tem validade como método científico.
Outra coisa: Quem disse que Média é um fator que sucesso? Vocês e meus alunos que me desculpem (sempre falo isso com eles), mas comigo média tem que ser mais do que metade do máximo. A média para mim tem que ser a metade de mais metade. Diria sete e meio, ou até sete, para arredondar. Explico:  (1 / 2) + ((1 / 2) * (1 / 2)) = 0,75. A metade pra mim é o mínimo que o aluno deveria saber, mas não o torna apto a se promover a um nível em tese mais difícil. Estatísticas (that bitch, again) mostram, e nossa experiência confirma, que alunos que passaram "raspando", no ano seguinte ficam em recuperação, quando não reprovam naquela matéria. 
Isso explica porque não considero a média uma coisa justa. Meus alunos já sabem, quem fica com cinco na minha matéria está em recuperação paralela. Só libero de seis e meio para cima. Eu expliquei para eles o seguinte: imagina que você tem que pegar um ônibus, e está com o dinheiro contadinho para pagar a passagem. Lá vai você, cheio de moedinhas e de repente, bum! você tropeça e suas moedinhas voam pelo ar. Você até pode conseguir catar tudo, mas e se faltar uma moedinha? O motorista obviamente não deixa você entrar. Uso a mesma lógica quando eles ficam amarrando para fazer trabalho, dizendo que não precisam pois já estão na média. Ou, pior ainda, ficam contando com a nota da prova para passar (o valor padrão das provas no diário do Estado é 5,0. Assim é mole, né?). Mas como aprendi nos tempos de curso de Inglês, "cheat the system", minhas provas valem 3,0. Assim, todo mundo sabe que para estar pelo menos na média oficial (já que comigo o cidadão já está de molho) precisa passar por mais uma avaliação, no mínimo.
Não sou muito exigente. Muito pelo contrário, os outros é que estão moles demais, rsrs.
Marradas científicas. Mas com molho "barbecue", que esse post ficou sem graça e chato pra dedéu.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Cansei de ver pop

Nessas férias (que não foram exatamente férias,já que tinha muita coisa pendente pra resolver, da Pós e de casa mesmo) calhei de mexer mais no tal do Facebook. Estou achando bem legal a ideia de entrelaçar tudo que publico na internet, juntar com meus achados e criar uma colcha de retalhos do que faço da rede (e que bem ou mal é reflexo do que faço fora). O que está acabando comigo é a falta de assunto de algumas pessoas, que acaba levando estas a postar muita coisa inútil, ou mesmo de gosto duvidoso. É claro que nem tudo precisa ser levado a sério, aquilo é um espaço democrático (clichê) onde se fala o que se pensa, quem sou eu pra julgar, afinal meu primeiro blog tinha essa intenção. A diferença é que meu blog está lá, onde só quem lê é quem cai na besteira de digitar o endereço (alguns salvam nos favoritos...vai entender). Já no Facebook a "coisa" fica lá, e todo mundo é meio que obrigado a ler. É claro que você pode bloquear o indivíduo abobrinheiro, mas coitado. De repente o cara tem realmente algo de relevante a dizer, e você vai penalizá-lo por causa de um memezinho ou cartaz cheio de erros de português? Claro que não! Mas tem hora que dá no saco. A cada postagem me dá vontade de comentar, mas sei lá quantos amigos meus não iriam me banir por causa disso... Não que eu dê muita importância, afinal, assim como faziam com meus blogs, eles pouco ou nada ligam para o que eu escrevo. Mas como diria o Jaiminho Carteiro, "es que quiero evitar la fatiga". Certo é que estou cansada mesmo, dessa nova versão do Orkut, disfarçada de vitrine "pop & hip". Espero que os meus amigos leiam isso e vejam que só sendo muito amiga mesmo, pra aturar isso tudo em nome da amizade...
Marradas CULT

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

LIFE 101 ou ABC da VIDA

Dentro dessa linha "muito tenho pra falar" (Travessia, Milton Nascimento), introduzo (ui!) um novo tópico que vai bem com a filosofia desse blog (na verdade, nem tanto; mas já tenho blogs demais, muito especializados e não tou a fim de abrir mais um): É o LIFE 101. Ou sua versão em português, ABC da VIDA. É isso aí. A vida tá muito complicada, a gente tá meio sem paciência de explicar pros "life noobs" (leia-se crianças) coisas prosaicas e básicas que na nossa nossa infância as nossas sábias avós explicavam... hoje as avós moderninhas (e cada vez mais jovens) só querem saber de tentar acompanhar os netos e não se importam se algumas coisas deixam de ser ditas. As mães, bom, deixa pra lá. Por isso, criarei novos marcadores e vai ficar tudo aqui ao lado. Vou ver se encontro também alguma coisa que preste (!!!) naquela zona que é o meu blog pessoal, que a propósito vai ficar parado mesmo. Ele já cumpriu sua função, que foi a de receber minhas asneiras de professora e casada de primeira viagem. Agora chega dessa besteira de diário, rs. Meu diário agora é o twitter. Meu portfólio é o wordpress. Meus blogs voltados aos alunos: tem o "teacher aline" e o "inglês no são teodoro". E esse daqui é meu terapeuta e confidente (mané diário, po**a!). Daqui a pouco tá tudo zoneado de novo e me verei com ganas de deletar tudo, mas whatevs. Vale tudo aqui nessa bagaça mesmo. Quem manda sou eu.
As marradas de sempre.

domingo, 6 de novembro de 2011

Nao tenho idolos

Não tenho ídolos (comunidade do Orkut). Me perdoem, mas não consigo compreender a necessidade de adorar determinada personalidade por esse ou aquele motivo. Claro que me inspiro em diversas pessoas, que, famosas ou não, com suas ideias e atitudes me ajudaram a ser quem sou hoje. Acredito que deve ser super divertido ficar acompanhando o que seu Fulano anda fazendo, mas pessoalmente não vejo muita graça nisso. Prefiro eu mesma descobrir o que é relevante pra mim saber, e de repente procurar saber, desse ou daquele artista ou celebridade.
O motivo de eu estar falando sobre isso é uma reportagem veiculada em um jornal essa semana, que tratou de descobrir a escola onde o jogador Neymar estudou, quer dizer, a escola que o jogador frequentou. Prefiro assim, mesmo que soe como preconceito. Direi porquê. Na chamada para a reportagem, Tande pergunta: “E será que Neymar era o craque da escola onde jogava? Será que era bom aluno?”. Interessante colocação da palavras e a sequência das curiosidades, não acham?
Em primeiro lugar, no que vai acrescentar a nova geração, ou mesmo a nós, educadores e afins, saber onde era a escola do Neymar? Será que ter estudado lá fez diferença para a atual carreira dele? Isso quer dizer que se outras crianças sentirem que são os próximos Neymares da vida, deverão se matricular na maravilhosa escola formadora de craques?
Em segundo lugar, a tremenda jogada de marketing não para por aí. A princípio, no Brasil, o critério para se ganhar uma bolsa de estudos é ter boas notas. Ponto. Não existe ainda, no Brasil repito, uma política de isenção a quem tenha aptidões alheias ao meio acadêmico. Afinal, segue-se a lógica da necessidade. Para que um artista ou um atleta precisa de uma educação diferenciada? Nossa educação ainda é voltada para o Acadêmico. As pessoas precisam de base teórica para exercer profissões técnicas. Note-se que, na reportagem, a professora dele disse que ele “ficava sempre na média”. Depois vamos discutir sobre o que é uma média.
Hoje, graças à democratização do ensino público, todo mundo tem vaga garantida em qualquer escola pública. E digo de cadeira: o ensino público está melhorando, em muitos aspectos, principalmente em relação ao pessoal. Os professores em sua maioria são recém formados, o que ao contrário da Medicina por exemplo é vantagem. Nossas mentes estão mais frescas, as metodologias aprendidas estão atualizadas e estamos mais próximos em idade da nossa clientela, o que nos faz entender e trabalhar melhor com eles. E acima de tudo, o que eu sempre digo para eles é que não é a roupa que faz o monge. Não é a escola que vai fazer diferença. É o esforço individual. Tenho ótimos alunos, que estão genuinamente interessados em aprender e não apenas passar, a quem dedico um esforço só comparado ao de escola de línguas onde trabalhei. Aos outros, procuro tirar dúvidas, mas à medida em que percebo, durante uma explicação, a conversa paralela deliberada, nem me dou ao trabalho de repetir as instruções do exercício. Para esses alunos, sou “ignorante” e “grossa”. Desculpem amores, nada pessoal.
Já perdi a conta das vezes em que discuto “professions” com meus alunos, sempre perguntando o que os pais e mães são, para que eles exercitem o vocabulário, e quando passo para o que eles querem ser, ouço alguns “soccer players”, mas a maioria responde, no velho e bom português, “traficante”. Nota: “minha” escola não fica em comunidade não. Para esses, nem reportagem do Neymar na escola, nem bolsa de estudos em escola cara vão mudar o fato de que seus ídolos estão bem mais próximos e são bem mais fáceis de seguir do que os da televisão.
Marradinhas carinhosas

quarta-feira, 27 de julho de 2011

EM GREVE!! A CULPA É DO CABRAL!!

Ainda estou em greve. Mas estou me estressando mais do que se estivesse dando aula. Por quê? O Governo tá me tirando do sério!!! É muita palhaçada junta!
Olha só isso:
Dossiê Educação
Esse site é um dossiê feito pelos professores do Estado do RJ, denunciando todos os desmandos cometidos pelo Governo de Sérgio Cabral Filho, relacionados a Educação. Mas só lembrando, os escândalos associados a esse pessoal estão em todas as áreas, é só fazer um pouquinho de pesquisa. Lembrem-se: podemos mudar o que está errado. Temos uma arma poderosíssima, o voto. E não me venham dizer que tá tudo bom pra vocês, com as UPA's sem ortopedia e pediatria, e UPP's sem policiais e abrindo perna pra bandido. Não me digam que isso não é nada, porque o Maracanã vai ficar lindo pra Copa e pras Olimpíadas, que forma conquistas importantíssimas para o desenvolvimento do Estado. Não insultem a inteligência desta pobre e triste professora/ servidora pública estadual.
Marradas. Muitas. Para o Cabral e o Risolia. No mau sentido, pra variar.

Niver de miguel

Foi super legal. Posto as fotos depois.
Ano passado tinha prometido a ele que se conseguíssemos comprar a casa eu faria uma mega festa. Ele se conformou quando não conseguimos casa nenhuma. Mas esse ano eu tava muito chateada de não fazer nada pra ele de novo, mas também não queria fazer nada grandioso, até porque estou sem condição nenhuma. Resolvi fazer uma festinha à moda antiga. Pedi pra ele escolher dez a doze amigos, estabeleci um orçamento e caí dentro. Comprei tudo, desde o leite condensado pros brigadeiros até os enfeites, mas resolvi personalizar aquelas sacolinhas surpresa. Fiz umas cestinhas de garrafa PET, ficaram uma gracinha. Aproveitei o Cartão Cultura (!!!) e comprei na papelaria guache, gesso e forminhas, e massinha de modelas, fiz várias estações de atividades, de pintura em gesso, modelagem em massinha, providenciei UNO e jogos da memória e improvisei uma "casa de palha", no antigo abrigo da nossa cachorrinha, que por sinal ganhou o canil há muito prometido, feito meio a toque de caixa pelo meu marido por causa das crianças. A casa de palha na verdade era o telhado do abrigo, cercada por esteiras de palha e uma toalha rústica que eu uso no Natal, servindo de porta/cortina. Forrei o chão com o tapete da sala que já está meio gasto e pronto!
O tempo ajudou, ficou meio frio mas não choveu, como era previsto. Ainda bem, porque peguei uma queda de braço com minha mãe, que pra variar queria uma das "superproduções" bem ao estilo dela, mas totalmente fora da nossa realidade. Por fim ela me convenceu a dar o bolo. Deixei porque senão ela ia fazer biquinho.
No final, tinha muita sujeira no quintal, sobrou bolhas de sabão e marshmallows até o dia das crianças, e faltou pique no dia seguinte pra organizar tudo, mas valeu. Miguel disse que adorou, que eu era uma ótima organizadora de festas (!), e isso pra mim bastou. Era isso que eu queria, deixar ele feliz no dia dele.
Marradas.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A partir de agora, Aries Horns

Sério. Tenho mais o que fazer. E não é só modo de dizer não. Tenho mesmo um balde de coisas a fazer. Mas pensei, que se dane!! Se a nossa amiga Surfistinha (o que, aliás, ela surfava? I wonder...) pode, eu também posso, é claro. Ora, afinal de contas, temos histórias bem análogas e planos para o futuro bem similares, hehe. Ambas caímos em nossas respectivas vidas profissionais meio que por acaso, vendemos nossos conhecimentos (os meus por bem menos dos que os dela, pela tabela da SEEDUC). e não estamos a fim de envelhecer nessa vida. Após fazer um pé de meia, nos aposentaremos e vamos fazer o que sempre sonhamos: virar escritoras.
O que pode estar começando agora. Já que segundo meu histórico familiar tenho grande chance de desenvolver depressão, pressão alta e insanidade mental, e suas evoluções óbvias não me agradam nem um pouco, a partir de agora meu canal de expressão e válvula de escape não será mais ouvidos dos meus pobres e inocentes clientes. Será este blog. E para aqueles que se confundiram um pouco com a minha analogia, sou uma professora do Estado do RJ. E meu filho não é juiz de futebol.
Marradas.