O que me intriga nisso tudo não é o aspecto cultural, coisa que não questiono, mas a passividade diante do aprendizado. Uma vez começado, o processo costuma ser irreversível. Quando aprendemos a ler, lemos tudo que é cartaz e "outdoor" pela rua, perguntamos o nome de todos para poder escrever e assim seguimos por toda a vida. Não é ser gênio ou "nerd", é querer evoluir. Sabe ler mal, e não tem opinião própria? Será que não dá nem um pouquinho de vontade de ter uma conversa inteligente fora do seu mundo doméstico? Volto a falar, é até o que falo pros meus alunos: Nem todo mundo aqui vai sair doutor não. No mundo cada um tem uma função a cumprir. O que não quer dizer que o cara que recolhe o meu lixo todo dia não possa ter um curso superior e usar seu conhecimento. Ou nem precisa ser curso superior, mas lê, se informa, aprende algo novo, de repente frequenta um salão de dança, quem sabe, ou faz parte de uma banda ou de um curso de teatro. Nada o impede de evoluir, nem mesmo seu trabalho. Por isso, mesmo pra quem não tem pretensão nenhuma, como muitos dos meus alunos, estar na escola é importante sim. Mas nem todos entendem isso, e acham que estão lá por castigo, e até continuam, mas sem entusiasmo, e assim que podem, fazem questão de esquecer essa fase tão importante das suas vidas. Ainda que a realidade não seja nem um pouco parecida com a dos ciganos ingleses, mas, enfim...
Marradinhas breves (volto daqui a pouco, peraí)
